“The Joshua Tree” (1987), clássico absoluto do U2!

A Irlanda sempre produziu grandes artistas ao longo dos anos. Nomes como Van Morrison, Enya, The Cranberries, Thin Lizzy e Sinead O´Connor são alguns deles. Porém, a banda de maior destaque internacional nasceria na segunda metade dos anos 70 e ainda por cima após um anúncio feito numa escola na cidade de Dublin.

Após esse anúncio, seis jovens compareceram e começaram a ensaiar. Aos poucos, os melhores foram se destacando. Até que em março de 1978, a reunião daqueles jovens deu resultado, tornando-se um quarteto. Com uma formação que permanece até os dias de hoje: Paul “Bono” Hewson (Vocal), David “The Edge” Evans (Guitarra), Adam Clayton (Baixo) e Larry Mullen Jr. (Bateria), o nome da banda: U2.

Em outubro de 1980, lançaram seu primeiro álbum, “Boy”, e logo começaram a fazer sucesso. Após os seus novos discos, o número de fãs só aumentava, uma constante na década de 80.

Em 09.03.1987, o U2 lançou aquele que seria sua obra-prima, um divisor de águas na sua já importante carreira e que mudaria a banda de status para sempre, o maravilhoso “The Joshua Tree”. O disco foi baseado em várias experiências pessoais de Bono e que ele levou para as letras do disco.

Àquela época, o grupo fazia constantes viagens aos Estados Unidos e sempre gostou muito de lá. Bono lia constantemente livros de escritores americanos, como Norman Mailer, Raymond Carver e Flannery O´Connor. Ele tentava entender o porquê de pessoas ficarem à margem do famoso “Sonho Americano”.

O U2 participou de shows beneficentes na Conspiracy Of Hope Tour nos Estados Unidos em 1986 e isso foi importante para dar energia extra ao grupo sobre o que eles fariam dali em diante. Durante esses shows eles refletiram sobre o cenário da política americana, liderada pelo então presidente Ronald Reagan, cujos valores o U2 não concordava. Então o grupo via o outro lado da terra do Tio Sam.

“The Joshua Tree” (1987) – U2

Bono começou a ter contato direto com realidades bem diferentes. Ele fez viagens a países como El Salvador e Nicarágua, que passavam por graves crises humanitárias. Bono viu muitas situações de sofrimento de camponeses diretamente afetados por conflitos políticos e militares, gerados graças à intervenção dos Estados Unidos naqueles países, o que serviu de inspiração para algumas canções do disco.

Outro fato que marcou a banda foi a morte do então roadie e assistente pessoal de Bono, Greg Caroll, num acidente de moto aos 26 anos, em Dublin. O fato deixou o grupo profundamente abalado e resultou numa homenagem ao amigo numa das canções do álbum.

A capa e o nome do disco têm uma história interessante. O U2 tinha como conceito de capa representar o deserto, tanto que um dos nomes provisórios era “The Desert Songs” (As Canções do Deserto). O fotografo Anton Corbijn procurou locais pelos EUA para capturar esse clima.

Após uma conversa com a banda, Corbijn comentou sobre a árvore de Josué (The Joshua Tree) e falou-lhes toda a história bíblica que a cercava. Bono foi pesquisar na Bíblia a história e no dia seguinte o nome “The Joshua Tree” foi escolhido.

DIRE STRAITS com o emblemático “Brothers In Arms” (1985).

THE SMITHS e o maravilhoso “The Queen Is Dead” (1986).

O disco tem 11 faixas em aproximadamente 50 minutos, com o som mais voltado aos primórdios do grupo, mais forte e natural, com muita influência de música americana e irlandesa, com o sentimento de amor e ódio aos Estados Unidos. As letras são extremamente conscientes, politizadas, falam de problemas sociais, amor, terra prometida, deserto, política, greves, religião, dentre outros temas.

Vamos falar aqui apenas dos principais sucessos. Considero que as primeiras três faixas desse disco são as melhores da história. A minha ordem de preferência começa com “Where The Streets Have No Name”, que foi inicialmente trabalhada por The Edge e depois retrabalhada pelo resto da banda em estúdio e ocupou muito tempo da produção do disco.

Bono escreveu a letra durante sua viagem à Etiópia com sua esposa, Ali Hewson, como resposta a ideia de que é impossível identificar a religião de uma pessoa com base no local que ela vive, principalmente na capital da Irlanda do Norte, Belfast. Reza a lenda que ele escreveu a música num saco de vômito durante sua estadia numa aldeia na Etiópia.

O videoclipe da canção teve inspiração direta nos Beatles, mais precisamente na canção “Let It Be” (1970). O U2 também foi para um telhado de edifício, neste caso em Los Angeles (EUA), tocou algumas músicas e gravou “Where The Streets Have No Name”. Houve realmente os confrontos com a polícia, como visto no clipe. A canção ganhou um Grammy de Melhor Performance de Videoclipe” em 1989.

Todas as faixas foram escritas pelo U2.

  1. “Where The Streets Have No Name” – 5:38
  2. “I Still Haven´t Found What I´m Looking For” – 4:38
  3. “With Or Without You” – 4:56
  4. “Bullet the Blue Sky” – 4:32
  5. “Running to Stand Still” – 4:18
  6. “Red Hill Mining Town” – 4:54
  7. “In God´s Country” – 2:57
  8. “Trip Through Your Wires” – 3:33
  9. “One Tree Hill” – 5:23
  10. “Exit” – 4:13
  11. “Mothers Of The Disappeard” – 5:12

Gravadora: Island Records.
Produção: Brian Eno / Daniel Lanois.
Duração: 50:11         

Outro clássico do disco é “I Still Haven´t Found What I´m Looking For”, bem influenciada pela música gospel e espiritualidade, bem nítida na letra da canção. Larry Mullen gravou uma demo inicial e após os outros membros a ouvirem, decidiram trabalhá-la num estilo de música folk / country americana.

Um ponto de destaque é a bateria gravada por Mullen, usando todo seu talento e categoria. Ele criou um padrão único e fundamental para o sucesso da canção.

O vídeo foi gravado em Las Vegas (EUA), com os integrantes percorrendo a cidade. A organização oficial de eventos de Las Vegas creditou ao vídeo a melhoria da imagem da cidade junto aos músicos. Após a gravação, vários grandes nomes da música fizeram shows lá.  A canção recebeu duas indicações ao Grammy.

Fechando os clássicos, trago uma que certamente é uma das maiores canções da história do U2. Foi a de maior sucesso do álbum e foi a primeira música da história da banda a atingir o primeiro lugar na parada americana Billboard, “With Or Without You”, um hino que marcou a trajetória dos irlandeses e talvez seja a mais conhecida do grupo.

Em “With Or Without You” Bono retrata seus problemas naquele momento da vida, crise no casamento devido sua constante ausência em casa por causa da banda. Ele tentava conciliar as duas coisas e escreveu essa canção numa viagem que fez à Riviera Francesa. Ele fala que existia uma tensão entre sua vida doméstica e sua vida musical e tentava reprimir isso.

“With Or Without You” é frequentemente citada como uma das melhores canções de todos os tempos, aparece em todas as listas de melhores, em coletâneas da banda. A música é também a segunda canção do U2 que mais foi regravada, um verdadeiro clássico, ou melhor, já superou isso, virou um hino.

Outras canções de destaque são “In God´s Country”, que fala sobre a falta de ideias políticas no ocidente, e “One Tree Hill”, que é uma homenagem ao amigo Greg Caroll.

Aos amantes de rock n´roll esse álbum soa como um diamante que foi devidamente lapidado numa época em que a New Wave e o Pop estavam em alta nos maravilhosos anos 80 e o U2 não queria nada voltado para esse lado. O sucesso foi tão avassalador que vendeu mais de 25 milhões de cópias e estabeleceu Bono, Edge, Clayton e Mullen, como superstars dali em diante. Simplesmente espetacular! Recomendo.

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