“Blood Sugar Sex Magik” (1991), obra-prima do RED HOT CHILI PEPPERS!

Quando se fala em banda de rock com um estilo único, uma das que melhor representa isso é o Red Hot Chili Peppers, que se tornou mundialmente conhecida pela sua mistura de ritmos. Entre eles estão o funk, hip hop e rap, com letras irreverentes e diretas, falando de vários assuntos. Alie tudo isso a uma presença de palco inigualável, cheia de energia e talento.

Os Peppers começaram em 1983, gravaram vários álbuns no decorrer da década de 80, tiveram vários problemas (com drogas os mais sérios), perderam o amigo e guitarrista Hillel Slovak em 1988 por overdose de heroína e mesmo com isso tudo seguiram em frente.

Em 1991, de gravadora nova (Warner Bros.) e com Rick Rubin, um produtor que faria toda a diferença na carreira da banda dali em diante, os Peppers lançaram em 24.09.1991 “Blood Sugar Sex Magik”. O disco marcou uma mudança na sonoridade mais pesada da banda em álbuns anteriores para um estilo mais funk e meio alternativo, porém, sem deixar de lado a vibe positiva e a essência da banda.

RED HOT CHILI PEPPERS – “Blood Sugar Sex Magik” (1991) / Warner Bros

  1. “The Power Equality” (Anthony Kiedis / Flea / Chad Smith / John Frusciante) – 4:03
  2. “If You Have To Ask” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 3:37
  3. “Breaking The Girl” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 4:55
  4. “Funky Monks” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 5:23
  5. “Suck My Kiss” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 3:37
  6. “I Could Have Lied” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 4:10
  7. “Mellowship Slinky In B Major” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 4:00
  8. “The Righteous & The Wicked” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 4:05
  9. “Give It Away” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 4:45
  10. “Blood Sugar Sex Magic” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 4:31
  11. “Under The Bridge” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 4:34
  12. “Naked In The Rain” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 4:30
  13. “Apache Rose Peacock” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 4:43
  14. “The Greenting Song” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 3:14
  15. “My Lovely Man” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 4:45
  16. “Sir Pyscho Sexy” (Kiedis / Flea / Smith / Frusciante) – 8:24
  17. “The´re Red Hot” (Robert Johnson) – 1:11

Anthony Kiedis (Vocal), Flea (Baixo), Chad Smith (Bateria) e John Frusciante (Guitarra), a formação clássica da banda, gravou esse maravilhoso álbum em aproximadamente 74 minutos, com 17 faixas e letras falando de sexo, erotismo, amor, drogas, angústia e igualdade social.

O clima entre a banda era muito bom, com todos colaborando ativamente e aos poucos as letras foram aparecendo, a maioria bem autobiográfica, pois Kiedis passava por problemas pessoais e isso foi bem refletido nas letras.

É um álbum com várias faixas e vamos aqui destacar as mais conhecidas e que fizeram maior sucesso comercial, como “Breaking The Girl”. Este foi o quarto single lançado, composta e cantada por Kiedis essa balada faz referência ao seu relacionamento com Carmem Hawk. Relacionamento este muito problemático. Na canção ele fala de como ele estava destruindo o relacionamento. É uma canção que teve forte influência do Led Zeppelin, pois John Frusciante se inspirou em “The Battle Of Evermore” para fazer seus riffs na canção.

Kiedis, que em outras canções do disco fala abertamente sobre sexo, tinha medo de que ficasse igual ao seu pai, que passava por vários relacionamentos e no fim das contas não tinha ninguém.

O videoclipe que conta com cores fortes e vibrantes, tem Kiedis usando um penteado estilo Princesa Léia de Star Wars e com a banda toda fazendo movimentos surrealistas. Arik Marshall, guitarrista que foi recrutado após a saída de Frusciante da banda, já aparece nesse vídeo.

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“Suck My Kiss” é o terceiro single lançado e fala sobre sexo e relacionamentos, Nele Kiedis também faz várias referências a outros temas. É uma faixa na qual Frusciante mostra porque é o melhor guitarrista da história dos Red Hot Chili Peppers, fazendo um ótimo solo de guitarra acompanhado de uma bela cozinha com o gênio do baixo, Flea, e Chad Smith na batera.

O videoclipe intercala imagens da banda na casa onde eles se isolaram por um mês e gravaram o álbum com imagens da chegada do exército americano após a guerra do Golfo.

Outra bela canção do disco e que fez sucesso é “I Could Have Lied”, que foi escrita por Kiedis para relembrar seu breve romance com Sinead O’ Connor, cantora irlandesa que também fazia muito sucesso naquela época. Belíssimos arranjos, numa canção que começa mais folk e depois entra a guitarra. Mais um grande momento de John Frusciante e mais um hit.

Nos grandes álbuns sempre tem pelo menos um grande sucesso, no caso de “Blood Sugar Sex Magik” temos dois mega sucessos que fariam história na carreira dos Peppers, o primeiro é “Give It Away”, um mistura de funk, rock, rap, com suas bases de guitarra e baixo originárias de um projeto musical paralelo chamado H.A.T.E, onde Flea e Frusciante faziam parte e criaram os riffs nessa época. Durante uma jam session, Kiedis ao ouvir os demais integrantes tocarem a canção ele pegou o microfone e cantou “Give it away, give it away, give it away now!” e assim nasceu mais um hino do Red Hot Chili Peppers.

A letra faz citação à Bob Marley, um dos ídolos da banda e fala também sobre sexo, fertilidade e luxúria, porém, Anthony Kiedis fala que o significado da canção tem a ver com altruísmo, pois quando namorou com Nina Hagen ele aprendeu a receber conselhos e assim ele desenvolveu um estilo de vida diferente do que vinha tendo e sendo uma pessoa altruísta.

Uma curiosidade é que na estratégia de divulgação do single, que foi o primeiro lançado desse álbum, foi escolhida uma rádio no Texas (EUA) para começar a tocar a canção, porém, a rádio se recusou a tocar alegando que ela não tinha melodia e disse para a banda voltar só quando tivesse uma, acho que essa rádio deve ter se arrependido, só acho.

Outro ponto importante foi o videoclipe filmado pelo francês Stéphane Sednaoui, onde os integrantes aparecem completamente pintados de uma tinta prata e com as técnicas usadas na filmagem, o resultado foi espetacular e “Give It Away” logo estava bombando na MTV, o que foi muito importante para a divulgação da banda e do álbum. O clipe ganhou vários prêmios e se tornou um dos mais lembrados da carreira do grupo, um verdadeiro clássico.

O outro mega sucesso do álbum é “Under The Bridge”, uma balada lindíssima onde Kiedis fala sobre seus problemas com o uso de drogas e o local onde ele costumava comprar e usar que foi sob uma ponte em Los Angeles (EUA). Inicialmente a canção não entraria para o disco, pois Kiedis achava que não tinha nada a ver com o estilo musical do RHCP, porém, foi convencido pelo produtor Rick Rubin e apresentou os versos da canção ao resto do grupo, que imediatamente começou a trabalhar em arranjos para a música.

A letra fala principalmente do abuso de drogas por parte de Kiedis, além disso ele também fala sobre solidão, de relacionamentos amorosos frustrados e da distância que ele achava que tinha com o resto da banda em seus tempos de crise. Quem participa da canção é a mãe do guitarrista John Frusciante, Gail Frusciante, junto a um coral de vozes que fazem o coro no final da música.

O videoclipe filmado por Gus Van Sant também teve destaque e é considerado por Flea como um divisor de águas na carreira da banda, pois os elevou a um outro patamar, saindo do Underground para o Mainstream e tendo exaustiva execução na MTV, onde foi indicado para vários prêmios e ganhou alguns deles. A partir desse vídeo é percebida a mudança de comportamento de Frusciante em frente às câmeras, já não era mais aquele moleque que pulava que nem louco nos vídeos da banda. Coincidência ou não, pouco tempo depois ele sairia do grupo por não saber lidar com o sucesso que aconteceu de forma tão avassaladora.

Outras canções que merecem destaque são “The Power Equality” e sua letra que fala de igualdade social, a faixa título “Blood Sugar Sex Magik” e “Mr. Psycho Sexy”, que falam do apetite voraz de sexo do vocalista Anthony Kiedis naqueles tempos.

Enfim, um álbum digno de figurar entre os melhores da história do rock, certamente um dos melhores dos anos 90 e da carreira do Red Hot Chili Peppers. Muita coisa autobiográfica está nesse trabalho e foi realmente a mudança que a banda queria, pois dali em diante nunca mais eles seriam os mesmos, alcançado status de uma das melhores bandas de rock de todos os tempos, porém, nem todos estavam a fim desse sucesso todo, John Frusciante sairia logo na turnê de divulgação do álbum e voltaria somente em 1998, para sair de novo em 2009.  Álbum recomendado para todos que gostam de música de qualidade dos reis do funk rock, clássico.

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