“Off The Wall”, um divisor de águas na carreira do Rei do Pop, MICHAEL JACKSON!

A década de 70 é considerada uma das melhores de todos os tempos quando o assunto é música, tínhamos muita produção de qualidade em vários ritmos musicais, era o auge do rock, que especialmente no final dessa década, se destacou com o punk rock, porém, nesse período também houve a explosão da Disco Music, que era a onda do momento nas discotecas e clubes dos Estados Unidos e posteriormente pelo mundo todo.

Desse movimento disco, surgiram várias bandas, grandes canções e diversos artistas se destacaram, porém, um deles estava num momento de mudança em sua carreira e lançou em 10.08.1979, “Off The Wall”, o seu quinto e talvez mais influente álbum da carreira, estou falando daquele que se tornaria uma lenda dali em diante e que ficaria marcado para sempre como rei, o Rei do Pop, Michael Jackson.

Michael Jackson
Foto: STEVE HARVEY

FAIXAS:

1. “Don´t Stop ‘Til You Get Enough” (Michael Jackson) – 6:02
2. “Rock With You” (Rod Temperton) – 3:38
3. “Working Day And Night” (Jackson) – 5:10
4. “Get On The Floor” (Jackson / Louis Johnson) – 4:42
5. “Off The Wall” (Temperton) – 4:11
6. “Girlfriend” (Paul McCartney) – 3:08
7. “She´s Out Of My Life” (Tom Bahler) – 3:41
8. “I Can´t Help It” (Stevie Wonder / Susaye Green) – 4:28
9. “It´s The Falling In Love” (Carole Bayer Sager / David Foster) – 3:52
10. “Burn This Disco Out” (Temperton) – 3:39

Jackson iniciava ali uma das maiores parcerias de sucesso da história da música com seu produtor Quincy Jones, que ainda produziria mais dois álbuns com ele e marcaria para sempre a história da música popular.

Ele estava de gravadora nova e agora teria uma liberdade maior para produzir material de acordo com o que ele queria e não limitado como antes.

Aos 21 anos de idade na época, ele gravou o disco com a sonoridade característica de seus trabalhos na Motown, porém, incluiu elementos novos e que seriam fundamentais durante os anos 80, principalmente com os cuidados na produção do disco.

Quincy Jones mostraria toda sua categoria e genialidade dentro de um estúdio, cercando-se dos melhores músicos para gravar e além disso, conseguiu extrair o melhor de Michael, que dali em diante ficaria marcado como um superstar que além de cantar maravilhosamente bem, dançava, compunha, atuava em videoclipes super produzidos, lançava discos muito bem trabalhados, cheios de sucessos e mudaria para sempre a história da música e cultura pop.

MICHAEL JACKSON COM OFF THE WALL 1979 DISCO MUSIC

“Off The Wall” tem 10 faixas em aproximadamente 43 minutos e apesar do disco ter toda a cara da Disco Music, podemos ver Michael cantando muito bem funk, R&B e criando todo o caminho para o pop que dominaria os anos seguintes.

Uma amostra da nova fase de Jackson é que ele assina a coprodução de três faixas no disco e abandona de vez as canções infantis da época de Jackson 5, cantando agora temas mais voltados para os jovens que nem ele.

Dentre as letras, os temas vão desde o amor, relacionamentos, liberdade e trabalho. Outro ponto importante é a participação de grandes músicos como Paul McCartney, Stevie Wonder e principalmente Rod Temperton, que contribuiu decisivamente com arranjos e produção das canções.

MICHAEL JACKSON, “O Rei do Pop”, chegou com o magnífico “Bad” (1987)

“Like a Virgin” (1984) é um dos melhores álbuns da Rainha do Pop, MADONNA!

Além deles, outros grandes músicos de estúdio como o fantástico Louis Johnson (Baixo), Steve Porcaro (Programação e Sintetizadores), Greg Phillinganes (Piano e Sintetizadores), Melvin “Wah Wah” Watson (Guitarra), David Williams (Guitarra), John Robinson (Bateria), Paulinho da Costa (Percussão), dentre vários outros, participaram do álbum.

Vários deles continuariam a gravar com Michael em seus álbuns seguintes, especialmente os músicos da banda americana Toto, que participaram desse disco.

Vamos falar dos grandes hits, e já na primeira faixa está o maior sucesso do álbum, “Don´t Stop ‘Til You Get Enough” que foi um mega sucesso no mundo inteiro e se tornou uma das canções mais conhecidas de Michael Jackson.

É a primeira que ele compôs tendo total controle criativo e a primeira a mostrar todo o talento como cantor e compositor em carreira solo. É nela que Jackson introduz um falsete de voz único e seus famosos gritinhos, que se tornariam uma marca registrada em toda a carreira.

Foi com essa música que em 1980, Jackson ganhou seu primeiro Grammy Awards sem os Jackson 5 e o videoclipe dessa canção foi o primeiro dele em carreira solo. A introdução da canção e sua famosa linha de baixo feita por Louis Johnson dão o tom dessa faixa, cujos arranjos e a interpretação maravilhosa de Michael remetem às pistas de dança, é o tipo de música que anima qualquer festa!

No Brasil essa canção ficou muito conhecida também por ser durante muitos anos o tema de abertura do programa Video Show, da Rede Globo. Um verdadeiro petardo! Canção muito importante na carreira do Rei do Pop e uma das mais queridas pelos fãs, um clássico absoluto.

Logo em seguida vem uma das mais deliciosas canções do disco e outro mega sucesso na carreira do Rei, “Rock With You”, de autoria de Rod Temperton, que teve participação fundamental no disco todo.

Uma quase balada, com sua letra que fala sobre libertação, mais dançante, bem anos 70, mostrando toda a cena glamourosa e elegante daqueles tempos. Um mix de suavidade, romantismo, pop e sensualidade, coisa que Michael explorou bastante nesse trabalho.

Uma curiosidade é que a canção originalmente foi oferecida à Karen Carpenter (The Carpernters), para seu primeiro disco solo, porém, ela recusou e Temperton ofereceu à Michael.

O videoclipe também foi muito importante para Michael, pois seu visual com a lendária roupa de lantejoulas foi usada nesse vídeo. A famosa introdução de bateria com John Robinson tornou-se icônica e é impossível não saber que música é essa quando ela toca, mais um clássico e mais uma no coração dos fãs.

“Off The Wall” a faixa título do álbum também fez sucesso, mas nada comparado às anteriores citadas anteriormente aqui. Novamente a introdução chama a atenção numa canção desse álbum e Louis Johnson mostra porque era um dos melhores baixistas de sua geração, tanto que Jackson trabalharia com ele novamente em “Thriller” (1982) e “Dangerous” (1991). Johnson ficou muito conhecido pela sua técnica apurada e principalmente pela forma que tocava, dando um tapa no baixo, coisa muito copiada posteriormente.

Além de Johnson há de se destacar a guitarra de Melvin Watson, dando o ritmo necessário para deixar a música bem leve e contagiante. Uma canção bem Disco Music, captando todo o clima que havia naquela época. Mais uma vez Rod Temperton acerta a mão numa composição e essa canção também era para ser de Karen Carpenter e ela também recusou, bom para Michael.

“Girlfriend” de autoria do gênio Paul McCartney que pensou em Michael para gravar essa canção, porém, McCartney a gravou com sua banda Wings no álbum “London Town” (1978). Um ano depois a canção ganhou uma nova roupagem com Michael e ficou muito boa, uma canção bem simples mas muito bonita.

Foi a primeira música que Michael gravou de Paul McCartney e o começo de uma grande amizade entre os dois, pena que depois houve um problema e um afastamento entre eles após a compra dos direitos da maioria das músicas dos Beatles, por Michael Jackson.

Foi o último single lançado do álbum e também teve relativo sucesso nas paradas. Para fechar os maiores sucessos temos a lindíssima “She´s Out Of My Life”, onde Michael mostra todo o seu talento vocal e versatilidade, interpretando de forma impecável e terna, essa que é sem dúvidas uma de suas canções mais bonitas.

O arranjo de cordas feito por Johnny Mandel é fantástico, assim como o piano de Greg Phillinganes, que deram uma aura toda especial à canção. Graças a ela, Michael teve naquele momento quatro top 10 hits de um álbum, coisa que ninguém tinha conseguido até então.

Mais uma vez Karen Carpenter aparece na história de uma música, dessa vez não por Rod Temperton, mas por Tom Bahler, que teve um romance com Karen, mas a canção não foi feita para ela e sim para Rhonda Rivera, namorada dele anterior à Carpenter.

Bahler deixou bem claro que a música era sobre uma desilusão amorosa, mas não era para Karen Carpenter, que morreria pouco tempo depois em 04.02.1983, aos 32 anos em decorrência de complicações com anorexia nervosa.

Diversos artistas regravaram essa canção, mas nada comparado à Michael Jackson. Outras canções de destaque desse álbum são “I Can´t Help It” com letra de Stevie Wonder e “It´s The Falling In Love” num dueto com Patti Austin.

“Off The Wall” é um divisor de águas na carreira de Michael Jackson, não apenas por estar iniciando uma nova fase, mais maduro, agora com Quincy Jones, mas por expressar aquilo que tinha vontade e conseguir traduzir isso em suas letras.

Foi nesse trabalho que ele co-produziu canções, teve mais liberdade artística, utilizou-se de toda a cena musical da época e soube explorar isso como ninguém, ditando praticamente as regras de como seria o pop nos anos seguintes, tanto que nos anos 80 e 90 ninguém foi mais soberano que ele.

Inteligente, esteve sempre acompanhado dos melhores músicos e isso seria uma tônica em sua carreira. Nesse trabalho teve brilhantes colaborações e isso foi vital para o sucesso do álbum no mundo todo.

Com mais de 30 milhões de cópias vendidas, “Off The Wall” é um de seus discos mais bem-sucedidos, também de toda a história da música e isso seria só a prévia do que viria logo mais a frente com “Thriller”.  

Vale sempre ouvir esse clássico da disco music, do funk, do R&B, do pop, que completa em 2019, simplesmente 40 anos do seu lançamento e entender como ele serviu de caminho para a sequencia da carreira desse gênio da música popular.

Por essas e por outras, Jackson foi abrindo caminho e será eternamente lembrado como o “Rei do Pop” e um dos maiores artistas de todos os tempos.

Michael Jackson
Foto: STEVE HARVEY

3 thoughts on ““Off The Wall”, um divisor de águas na carreira do Rei do Pop, MICHAEL JACKSON!

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    Ouvi tanto o Thriller (disco sucessor de 1982) que já me enjoei dele, agora só estou ouvindo este Off The Wall. RIP Michael Jackson!

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      Eu diria que é o disco mais espetacular da carreira de Michael, influente, importante e mostra toda a categoria do Rei. Clássico!

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        Realmente, patrão… Off the Wall e Thriller são obras-primas da música em todos os tempos, mas preferi dar mais preferência ao álbum de 1979 do Rei Michael por ser o que mais me empolga e emociona do início ao fim. É um escolha do coração, compreende?

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