“(What’s The Story) Morning Glory?” (1995) a obra-prima do OASIS!

A Inglaterra é conhecida por ser um celeiro de grandes bandas de rock, assim foi desde os anos 60 com bandas como os Beatles, por exemplo, que influenciariam muitas bandas subsequentes. Uma banda surgiria em 1991 e nunca negou que os quatro garotos de Liverpool eram suas principais influências, estou falando do OASIS, banda oriunda de Manchester e que teve como principais líderes os irmãos Gallagher, Noel (Guitarra e Vocal) e Liam (Vocal Principal). Além deles a banda tinha Paul “Bonehead” Arthurs (Guitarra Base), Paul “Guigsy” McGuigan (Baixo) e Tony McCarroll (Bateria), que logo no início foi substituído por outro baterista, Alan White.

Após um primeiro disco muito bem recebido pela crítica, eles lançaram em 02.10.1995 o segundo disco, que viria a ser sua obra prima e um dos mais importantes da história do rock, falo de (What´s The Story) Morning Glory?”, que lançou o Oasis ao estrelato mundial.

Naquela época, o movimento Britpop estava em seu auge, uma espécie de Pós-Grunge e duas bandas eram as principais: de um lado o Oasis e do outro o Blur, de Damon Albarn. Foi um período de intensas farpas via imprensa e isso ganhou uma proporção gigantesca, para além do mundo da música.

Para se ter uma ideia disso, em 14.08.1995, as duas bandas decidiram lançar seus respectivos singles de seus novos álbuns, na mesma data, causando um frenesi intenso na mídia britânica e esse momento ficou conhecido como a “Batalha do Britpop”, onde o Oasis era a classe operária e o Blur a clásse média. O single “Country House” do Blur acabou vendendo mais que “Roll With It” do Oasis, porém, quando se fala dos discos, “(What´s The Story) Morning Glory?” do Oasis vendeu muito mais do que “The Great Escape” do Blur.

Durante as gravações do álbum começaram as primeiras brigas entre os irmãos Gallagher, que acabariam sendo recorrentes durante a existência da banda. Numa delas eles saíram aos tapas quando após uma crítica de Noel à Liam, este último foi a um bar e na volta ao estúdio trouxe dezenas de pessoas estranhas, incluindo um jornalista, e interromperam a gravação da canção “Don´t Look Back In Anger”, cantada por Noel, que o deixou furioso e eles só voltariam a se falar três semanas depois. Assim começava a primeira de inúmeras brigas entre os dois.

  Ao todo são 12 faixas em aproximadamente 50 minutos de muito Rock N´Roll, com uma sonoridade um pouco diferente do álbum anterior, “Definitely Maybe”, que foi um sucesso, dessa vez o som estava mais alto, mais forte e mais pesado. As letras foram motivo de críticas num primeiro momento por serem simples demais, porém, ao longo dos anos a imprensa rendeu-se a qualidade de Noel Gallagher e os temas por ele abordados no álbum como o amor, relacionamentos, atitude, dentre outros autobiográficos, que deram o tom das composições e fizeram muito sucesso. Todas as canções são de Noel Gallagher, exceto onde indicado.

Oasis Morning Glory
Fonte: GOOGLE

FAIXAS:

1. “Hello” (Noel Gallagher / Gary Glitter / Mike Leander) – 3:21
2. “Roll With It” – 3:59
3. “Wonderwall” – 4:18
4. “Don´t Look Back In Anger” – 4:48
5. “Hey Now!” – 5:41
6. Sem título (Conhecida como “Swamp Song” – Parte 01) – 0:44
7. “Some Might Say” – 5:29
8. “Cast No Shadow” – 4:51
9. “She´s Electric” – 3:40
10. “Morning Glory” – 5:03
11. Sem título (Conhecida como “Swamp Song” – Parte 02) – 0:39
12. “Champagne Supernova” – 7:27

 Várias canções fizeram muito sucesso e são consideradas clássicas na carreira do Oasis, vamos às mais conhecidas: “Roll With It” foi o segundo single lançado e aquele da Batalha do Britpop com o Blur. A letra que fala bastante de atitude para mudar as coisas, dizer o que você tem que fazer na sua vida, é bem autobiográfica e fez muito sucesso no Reino Unido.

Uma curiosidade, a banda foi convidada a participar do famoso programa inglês Top Of The Pops, porém, a participação seria em playback e isso acabou rendendo uma situação cômica no dia da apresentação, com os irmãos Gallagher trocando de papéis na banda. Liam fingiu tocar guitarra e Noel fingiu cantar e tocar pandeiro, hilário!.

Logo em seguida vem uma das mais populares da carreira do Oasis e um dos maiores sucessos da década de 90, falo de “Wonderwall” uma balada lindíssima que Noel fez para sua então namorada na época e futura esposa, Meg Matthews. Noel após o divórcio em 2011, também falou que a canção é sobre um amigo imaginário que virá e salvará você de si mesmo.

Foi top 10 em vários lugares do mundo e inúmeros artistas a regravaram. Na época da gravação original houve briga entre Noel e Liam para cantar a canção, Liam acabou escolhendo-a e Noel ficou com “Don´t Look Back In Anger”, porém, em 1996 durante o Acústico MTV Oasis, quem cantou a canção foi Noel Gallagher, já que Liam se recusou a fazer o programa alegando dor de garganta. Liam foi à gravação e foi visto fumando vários cigarros e bebendo muito. Apesar de tudo, o tempo mostrou que a decisão de Liam fazer os vocais da canção foi a mais acertada, ele foi brilhante na interpretação, com todo o jeito Liam Gallagher de ser.

A canção possui dois videoclipes e neles o baixista Paul McGuigan não aparece, pois estava afastado por estresse, sendo substituído por Scott McLeod, músico da turnê. A canção ganhou inúmeros prêmios mundo afora e melhor música em várias votações. Um clássico absoluto e muito querida pelos fãs da banda.

“Don´t Look Back In Anger” é outro sucesso do disco e da história da banda, uma balada bem harmônica que mostra que Noel Gallagher também sabe cantar e muito bem. Foi o primeiro que conta somente com o vocal dele.

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É o quinto single do álbum e o segundo a ser número um no Reino Unido. O título é uma referência à David Bowie, que possui uma canção chamada “Look Back In Anger” e também cita referências diretas à John Lennon na canção. Era uma das canções preferidas do público nas apresentações ao vivo e Noel Gallagher incentivava o público a cantar, fazendo só a base de guitarra inicial. Mesmo em carreira solo, até hoje essa canção é um dos principais momentos do seu show.

“Morning Glory” é o terceiro single do álbum e teve relativo sucesso nas paradas. Noel conta que compôs a canção num porre de bebida e cocaína e fez referências à músicas populares naqueles tempos. Os vocais de Liam são bem destacados, ele dessa vez canta quase que gritando em algumas partes da música. O videoclipe também é interessante, mostrando a banda tocando num apartamento e diversos vizinhos indo reclamar do som.

Finalizando os grandes hits temos “Champagne Supernova”, a maior canção do álbum com mais de sete minutos e mostra todo o talento de Liam Gallagher nos vocais, mesmo que em alguns momentos com um efeito na sua voz, o que deixou a música muito boa.

A destacar também a harmonia entre todos os músicos e instrumentos, tudo encaixando perfeitamente. A letra inteligente de Noel Gallagher, com repetições de palavras se encaixando muito bem aos arranjos e melodia da canção. Uma canção muito querida pelos fãs e que ao vivo tinha uma força incrível.

Outras canções de destaque são: “Some Might Say” é o primeiro single do álbum e o último de Tony McCarroll com a banda, logo após ele seria dispensado e Alan White entraria em seu lugar. Noel Gallagher fala que é a música que melhor personifica o Oasis e a belíssima “Cast No Shadow”, uma balada linda que mostra o lado terno da banda.

Para se ter uma ideia da grandiosidade de “(What´s The Story) Morning Glory?”, na Inglaterra ele só perde em vendagens para dois álbuns: “Greatest Hits” do Queen e “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” dos Beatles, e que álbuns.

Depois desse trabalho o Oasis não conseguiu fazer mais nada com a mesma qualidade, fez bons discos, mas nada parecido. As brigas constantes entre Liam e Noel foram cruciais para o final do grupo em 2009, porém, mesmo com esses problemas, deixaram uma obra fundamental para o rock, sendo um dos pilares do movimento Britpop, uma das maiores bandas dos anos 90 e diria eu da história do rock.

Os fãs ainda esperam uma reunião do grupo, que Liam e Noel se acertem e que eles voltem intensos, enérgicos e grandiosos como foram, afinal, o rock está precisando de bandas assim, concorda? Álbum para se ouvir sempre, vale muito a pena.

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