“Violator” (1990), uma obra-prima do DEPECHE MODE!

Ao longo do tempo, grandes bandas surgiram na Inglaterra. Certamente você conhece alguma delas, seja de rock, pop, dance music ou outro estilo musical. Diria que nos anos 80 vários grupos ingleses tornaram-se presenças constantes em nossas listas musicais, pois os sucessos eram constantes nas rádios. Em 1980, na cidade inglesa de Essex, nascia mais uma dessas grandes bandas e que até os dias de hoje é relevante na indústria musical. Seu nome: Depeche Mode.

O nome tirado de uma capa de revista de moda francesa. A palavra depeche vem do francês dépêche (despachar, no francês antigo). Também pode ser entendido como “noticiário” ou “reportagem”. Já mode significa “moda”. Segundo seus fundadores, seria algo como “despache de moda” ou “notícias da moda”.

No mesmo ano o grupo fez sua primeira apresentação com Dave Gahan (Vocais), Martin Gore (Guitarra), Andrew Fletcher (Teclados, Baixo) e Vince Clarke (Teclados, Guitarra). Sim amigos. É ele mesmo, Vince Clarke do Erasure, e que também foi do Yazoo. Fez parte da formação original do Depeche Mode.

Os anos se passaram. Clarke saiu da banda logo após o primeiro disco em 1981. A banda foi ganhando popularidade, lançando discos e até que em 1982 houve um fato importante que mudaria os rumos do grupo: a entrada do baterista, tecladista e compositor Alan Wilder, muito importante nos álbuns seguintes do Depeche Mode.

Já extremamente populares, principalmente após “Music For The Masses” (1987), o grupo lançou em 19.03.1990 aquele que seria seu álbum de estabelecimento musical, o sétimo do grupo, o fantástico “Violator” , que mudou a história da banda para sempre. Um disco que mostra uma banda mais madura, mudando sua sonoridade, que antes era conhecida por ser mais animado e alegre, para uma coisa mais sombria, já se aproximando do gótico.

Então com Gahan, Gore, Fletcher e Wilder, o Depeche Mode gravou “Violator” e com um novo produtor, Mark Ellis, mais conhecido como Flood, famoso por misturar elementos e não foi diferente com o grupo. O que vimos foi uma mistura espetacular de dance e rock, que foi fundamental para o sucesso do álbum.

Todas as canções foram escritas por Martin Gore.

1.“World In My Eyes” – 4:26
2. “Sweetest Perfection” – 4:43
3.“Personal Jesus” – 4:56
4. “Halo” – 4:30
5.“Waiting For The Night” – 6:07
6.“Enjoy The Silence” – 6:12
7. “Policy Of Truth” – 4:55
8. “Blue Dress” – 5:41
9.“Clean” – 5:28

FICHA TÉCNICA:

Gravadora: Mute Records
Produção: Depeche Mode e Flood
Duração: 47:02

Além disso, a banda deixou um pouco de lado o uso excessivo de samplers, mais voltados para o gênero synthpop e entrou com novidades como o uso pela primeira vez de uma bateria tradicional (tocada por Alan Wilder), já que antes usavam baterias eletrônicas.

São apenas nove faixas, em aproximadamente 47 minutos de uma sonoridade diferente dos trabalhos anteriores, mas com a qualidade de sempre. As letras são um capítulo à parte, Martin Gore continua falando de coisas comuns na carreira da banda, como religião, poder, sexo, dentre outros itens.

Uma coisa bem autoral, melhor trabalhada e aperfeiçoada que os discos anteriores. Os membros da banda queriam trabalhar de maneira diferente do habitual e um dos trunfos foi a ligação de Alan Wilder com o produtor Flood, que ficavam horas trabalhando nas músicas e depois as repassavam aos demais integrantes.

Falando das principais canções, abrimos com “World In My Eyes”, um dos sucessos do disco, bem dançante, com ênfase na bateria eletrônica e sintetizadores. A letra fala de uma relação de conquista entre duas pessoas, de um lado o sedutor e do outro o seduzido, com momentos até de submissão. Porém, a ideia é que um mostre a sua visão de mundo para o outro.

Inicialmente a canção não empolgou o grupo. Andy Fletcher falou que não lembrava da música ter chamado a atenção da banda, mas no estúdio as coisas se encaixaram muito bem. O clipe é dirigido pelo holandês Anton Corbijn, que também filmou com a banda em outras canções do álbum.

Outro grande sucesso do álbum é “Personal Jesus”, com uma batida dançante, bem diferente do que a banda tinha feito até então. Um riff de guitarra bem marcante, que fica na cabeça das pessoas e sua letra que fala sobre religião, mas sem ser provocativa. Fala sobre a importância de se ter fé em pessoas, as quais depositamos nossas esperanças e que esperamos delas a atenção devida.

Segundo Martin Gore, a letra foi inspirada no livro “Elvis e Eu”, da viúva de Elvis Presley, Priscilla, e a canção seria sobre ser um Jesus para outra pessoa, alguém para lhe dar esperança e cuidado. 

A canção não é destinada diretamente à Jesus Cristo e à religião. Pode ser interpretada também como uma ode a uma pessoa querida ou até a alguém famoso que admiramos muito.

Outro ponto de destaque é o videoclipe da música, também dirigido por Anton Corbijn, gravado na Espanha, mostrando os quatro integrantes vestidos num estilo caubói em direção a um cabaré no velho oeste. Ora engraçado, ora sedutor, vale a pena conferir.

O fenômeno NEW KIDS ON THE BLOCK e seu grande disco “Step By Step” (1990)

“All The Best!” coletânea do mito PAUL McCARTNEY (1987)

Em seguida vem aquela que sem dúvidas é a maior canção do álbum e talvez a maior da história do Depeche Mode: “Enjoy The Silence”. Foi lançada como segundo single do disco e sua letra fala do silêncio, de como as pessoas podem ter momentos de paz e tranquilidade no mais absoluto silêncio.

Inicialmente, a canção era pra ser uma balada Porém, Alan Wilder e Flood decidiram fazer umas modificações deixando-a mais dançante, o que foi fundamental para o sucesso da música, mesmo com Gore mostrando desapontamento após as mudanças.

Aqui novamente temos Anton Corbijn dirigindo um vídeo do grupo, dessa vez ele se inspirou na história do livro “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry. No clipe o vocalista Dave Gahan anda por vários locais vestido com roupas de rei e uma coroa, carregando uma cadeira de praia em seus braços, buscando um lugar para ficar no mais absoluto silêncio.

Essa canção é um marco na carreira da banda e pode ser considerada uma das maiores da década de 90 e de toda a história do pop rock eletrônico, um clássico absoluto.

Fechando os grandes destaques temos ‘’Policy Of Truth”, lançada como terceiro single do grupo, mais uma dançante, com sua letra que fala sobre relacionamentos. Aqui há um contrassenso do que se diz como verdade absoluta, de que ela deve ser sempre dita. No entanto, nem todos os nossos segredos devem ser falados.

Ela não fez tanto sucesso como as anteriores citadas nesse texto, mas é muito lembrada pelos fãs.

Uma curiosidade à época do lançamento de “Violator” foi marcada por um evento promocional para divulgação do disco numa pequena loja em Los Angeles (EUA). Lá a banda esperava receber poucos fãs, porém o que se viu foi um aglomerado de mais de 17 mil pessoas, criando uma grande confusão, com cinco fãs hospitalizados e obviamente o evento teve que ser cancelado. Isso mostra o status que o Depeche Mode atingira naquele momento.

Sem dúvidas que esse álbum foi decisivo para a expansão da Dance Music no mundo todo e é considerado um dos mais importantes e relevantes para a música eletrônica e porque não de toda a história da música pop. Seus singles tornaram-se clássicos da banda que ao todo vendeu mais de 14 milhões de cópias no mundo todo.

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